A solidariedade sempre foi o batimento cardĂaco do movimento. Esse batimento cardĂaco Ă© um grito de guerra agora, enquanto lutamos contra os sequestros fascistas de nossos vizinhos pelo ICE, o genocĂdio na Palestina e as tentativas de silenciar e erradicar pessoas transgĂȘneras. Entendemos instintivamente que nossa sobrevivĂȘncia depende dessa frente unida radical e inquestionĂĄvel.
Durante o mĂȘs do Orgulho, somos lembrados de que a comunidade 2SLGBTQIA+ tem sido tĂŁo eficaz com a mensagem de solidariedade que muitos esquecem as diferenças importantes entre identidades e experiĂȘncias vividas, esquecem que este nĂŁo Ă© um grupo homogĂȘneo e ignoram o trabalho profundo e contĂnuo de desvincular o sexismo e a supremacia branca que continuam a ameaçar a força da comunidade.
Ă fĂĄcil esquecer que, atĂ© o inĂcio dos anos 80, o termo unificador para a comunidade era âgayââ apesar de o movimento sempre ter tido uma grande variedade de gĂȘneros e experiĂȘncias, homens cis gays brancos eram a imagem dominante que o mundo exterior conhecia. O trabalho de lĂ©sbicas e da polĂtica feminista nas dĂ©cadas de 70 e 80 ampliou a compreensĂŁo daqueles fora do movimento para âLGBâ, e continuou o trabalho de combater o apagamento de lĂ©sbicas e bissexuais em uma comunidade dominada pelo privilĂ©gio masculino. O debate sobre solidariedade e inclusĂŁo de pessoas transgĂȘnero na comunidade durante os anos 90 foi acalorado e intenso. Eu era uma adulta queer no inĂcio dos meus vinte anos durante esse tempo, e a comunidade queer local em Memphis estava se desintegrando sob a ansiedade de ânos espalharmos demaisâ e âdiluirmos nossa mensagemâ â o medo de que uma solidariedade ampliada enfraqueceria nosso ativismo e luta polĂtica. Apesar da preocupação e das lutas internas, a comunidade mais uma vez voltou aos valores de solidariedade e sĂł se fortaleceu como resultado. No entanto, ainda lidamos com sexismo e apagamento hoje, e ainda temos discussĂ”es importantes que ressoam com o mesmo ressentimento em relação ao sexismo, apagamento e desigualdade. Discutimos e brigamos Ă noite porque alguma parte de nĂłs entende a ameaça intensa Ă nossa capacidade contĂnua de unir forças e resistir juntos durante o dia. A luta continua sendo crucial para nossa sobrevivĂȘncia coletiva.
O scrapping interno esquece que as raĂzes do aumento das proteçÔes e direitos vieram diretamente das açÔes de solidariedade de mulheres trans negras e pardas e lĂ©sbicas butch durante Stonewall. Essas mulheres heroicas foram lĂderes-chave no cuidado de sua comunidade. Em 1970, um ano apĂłs os motins de Stonewall, duas das heroĂnas dos motins, Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, co-fundaram a STAR (Street Transvestite Action Revolutionaries), um abrigo para jovens trans sem-teto. A STAR foi o primeiro abrigo para jovens LGBTQ+ nos Estados Unidos e a primeira organização liderada por mulheres trans de cor. No inĂcio daquele ano, Rivera tambĂ©m co-fundou a Frente de Libertação Gay, uma coleção de grupos de libertação gay que lutaram contra a homofobia, o capitalismo, o militarismo, o racismo e o sexismo. Miss Major Griffin Gracy, outra mulher trans negra heroĂna de Stonewall, teve a mandĂbula quebrada por policiais e foi deixada inconsciente durante os motins. ApĂłs sua prisĂŁo de cinco anos, ela se mudou para a CalifĂłrnia para continuar seu ativismo e fundou uma organização sem fins lucrativos para lidar com a crise da AIDS e a abolição do sistema prisional. Ela fundou o Transgender, Gender, and Intersex Justice Project e, como diretora executiva, liderou o importante trabalho da organização para mulheres trans negras encarceradas que sofrem com a brutalidade policial, pobreza, racismo e discriminação de gĂȘnero. Stormie DeLarverie era uma lĂ©sbica butch com mĂŁe negra e pai branco que nĂŁo sĂł esteve presente na revolta de Stonewall, mas dizem ter sido quem a iniciou, ganhando para si o tĂtulo de Rosa Parks de Stonewall dentro da comunidade. Seu ativismo continuou como segurança em bares lĂ©sbicos e guardiĂŁ de rua de lĂ©sbicas em Nova York, legalmente armada para proteger lĂ©sbicas e espaços lĂ©sbicos a qualquer custo.
Neste Orgulho, celebramos essas mulheres e sua proteção feroz de nossa comunidade. Costuramos sua força em nossas lutas atuais, que ainda sĂŁo sobre a proteção de vidas negras, pardas, trans e femininas. Continuamos a lutar pelo direito de jovens trans de viver e prosperar em uma sociedade que tenta apagĂĄ-los. Ainda insistimos na visibilidade e na necessidade de lĂ©sbicas e bissexuais, e que seu lugar em nossa comunidade nĂŁo depende de seu trabalho emocional ou cuidado contĂnuo com homens gays. Exigimos que o trabalho antirracista e de interseccionalidade continue e que isso apenas fortaleça nossa solidariedade e ativismo. Pessoas 2SLGBTQIA+ sempre fizeram parte de nosso movimento e sempre iluminaram o caminho para trabalhar juntos, apesar das diferenças e da histĂłria de desigualdade. Dizem que pessoas em LA estĂŁo jogando glitter em agentes da imigração nĂŁo identificados para que possamos identificĂĄ-los nos dias que virĂŁo. Existe algo mais alegremente desafiador, mais queer, mais unido? Neste mĂȘs do Orgulho, nos protegemos e nos elevamos com toda a força de nossas heroĂnas trans e queer e lembramos o que Ă© preciso para viver e lutar. Juntos.
Nossos Jovens Trans precisam de nĂłs agora mais do que nunca. Por favor, assista a este clipe do Democracy Now para saber o que estĂĄ acontecendo. Defender os direitos das comunidades visadas continua alĂ©m do âmĂȘs do Orgulhoâ. Entre em contato com suas organizaçÔes trans locais para obter ideias sobre como se envolver nos esforços para proteger nossos jovens e obrigado por ser um aliado.
~ Escrito por River, Diretora de Pessoas e Cultura da CLDC
